As vinícolas brasileiras tentam descobrir no vale do São Francisco uma casta que represente o país no mundo do vinho.
Fazenda em Petrolina-PE
O Brasil tem três grandes regiões produtoras de vinhos de qualidade. A primeira, e a mais tradicional, é o Vale dos Vinhedos, no Rio Grande do Sul. Lá, os especialistas vaticinaram: trata-se de um lugar com enorme potencial para a produção de espumantes e inadequado para tintos (isso se deve à abundância de chuvas, o que torna o solo ácido demais). Na busca por um lugar ideal para a produção de tintos, as vinícolas rumaram para a Campanha Gaúcha, onde chove menos -- até agora, porém, os esforços não deram resultados que chamassem a atenção. Nas duas regiões do Sul do país, portanto, os produtores já sabem em que tipo de vinho apostar. No vale do rio São Francisco, na divisa entre os estados de Pernambuco e Bahia, o panorama é o oposto. As empresas do setor estão dando um salto no escuro jamais visto no país. Lá, estão sendo feitas frenéticas pesquisas em busca da uva que pode colocar o Brasil no mapa do mundo do vinho. Nada menos que 35 castas diferentes estão sendo testadas no sertão. "A Argentina tem a malbec, o Chile tem a carménère, a Nova Zelândia tem a sauvignon blanc e o Uruguai tem a tannat", diz o crítico americano Gerald Boyd, ex-editor da revista Wine Spectator. "Para competir no mercado internacional, o Brasil precisa achar a sua uva."
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O cenário em que estão sendo feitas essas buscas é peculiar. Os cerca de 200 hectares plantados na fazenda da Vinibrasil, associação entre a importadora Expand e a vinícola portuguesa Dão Sul, transformam a paisagem ao final dos 35 quilômetros da Estrada da Uva e do Vinho, que liga os municípios de Lagoa Grande e Santa Maria da Boa Vista, no interior de Pernambuco: os tons terrosos cedem espaço ao verde-vivo das vinhas. O oásis no meio do semi-árido só é possível graças à água bombeada do rio São Francisco e transportada por 600 quilômetros de tubos para gotejar lentamente sobre cada uma das cerca de 600 000 videiras. Lá, os executivos da empresa instalaram um laboratório que testa atualmente as 35 variedades de castas européias. "Compramos cerca de 20 000 das melhores plantas do mundo, direto do Institut National de la Recherche Agronomique (Inra), na França", diz o português João Santos, agrônomo da Vinibrasil. Dentre elas estão exemplares genéticos que levaram 30 anos em desenvolvimento pelos especialistas europeus. "Até agora, a casta mais bem-sucedida na região é a syrah", afirma Santos. A empreitada já trouxe alguns bons resultados. No ano passado, o vinho premium Paralelo 8, da linha Rio Sol, grande aposta da Vinibrasil, foi o primeiro brasileiro a aparecer na revista americana Wine Spectator, referência mundial no assunto. "São vinhos muito modernos e feitos de maneira competente", diz Jancis Robinson, colunista do Financial Times e uma das críticas mais influentes da atualidade.
Grandes platações de uvas estão no sertão nordestino o que faz com que muitos reconheçam esse lindo lugar...
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