Mostrando postagens com marcador Literatura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Literatura. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Gosto se discute? Sim,senhor!




“Fulaninho”diz já ter degustado o melhor vinho do mundo.Porém, “Beltraninho” que jura já ter passado pela mesma experiência, degustou um vinho diferente do de Fulaninho.E agora temos um problema:Quantos “Melhor vinho do mundo”existem?
Na verdade, existem dezenas,ou até mesmo centenas de vinhos diferentes,que são considerados como “o melhor” por várias pessoas.Ou seja,no fim das contas,Fulaninho e Beltraninho estão certos.Afinal,essa é apenas uma questão de gosto.
Falando em gosto,nunca concordei com essa coisa de “Gosto não se discute”.Isso é tão...arcaico.Parece conversa do tempo em que duas pessoas que tinham opiniões diferentes sobre algo,deveriam “sair na faca” pra mostrar quem estava certo,e como forma de acabar com esse tipo de conflito,todos se convenceram que era melhor não expressar suas preferências abertamente.
É difícil acreditar que apesar de vivermos em uma sociedade que se diz tão evoluída,muitas pessoas ainda não consigam conversar civilizadamente sobre temas como música,política,cinema...e tudo isso é culpa da intolerância.É preciso compreender que existe uma grande diferença entre gostar de algo e querer que todos gostem desse “algo”.
Conviver com as diferentes opiniões é algo muito legal, e que não deve ser deixado de lado.E isso é fácil,só basta um pouco de bom senso e respeito.Afinal,gosto se discute.Mas,não se impõe!

Beijobeijo

Indira Lima - Incubadora Blog

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Geraldo Azevedo




História

Geraldo Azevedo nasceu em Petrolina, PE, em 11 de janeiro de 1945. Essa origem nordestina talvez tenha sido a responsável pelo tempero tão variado de ritmos e balanços que este grande músico possui. Em seu trabalho é possível encontrar, lado a lado, líricas canções de amor como “ Dia Branco”.

Aos 12 anos de idade já tocava violão. Ao mudar-se para Recife onde foi estudar, Geraldo se juntou ao grupo folclórico intitulado "Grupo Construção" onde conheceu Teca Calazans, Naná Vasconcelos , Marcelo Melo e Toinho Alves (componentes do Quinteto Violado) iniciando aí toda a sua trajetória musical. Nesse mesmo ano a Copacabana lançou o disco "Alceu Valença & Geraldo Azevedo" marcando a estréia de dois jovens cantores e compositores que se tornaram dois dos maiores nomes da nossa música brasileira.

Participou de alguns importantes projetos coletivos de discos como "Asas da América", "Cantoria" e "O Grande Encontro", além de fazer parte de várias coletâneas. Mesmo não estando na boca da mídia nem vendendo números astronômicos, Geraldo Azevedo já se firmou como uns dois maiores músicos nordestinos da atualidade.


quarta-feira, 28 de outubro de 2009

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Um Pouco mais sobre nossos artistas!

PATATIVA DO ASSARÉ


Homem franzino, de 1,50 metro de altura, o cearense Antônio Gonçalves da Silva costumava dizer que freqüentara apenas quatro meses de escola e não conhecia gramática. Embora jamais tivesse anotado um verso sequer, sabia de cor todos os milhares de estrofes que compôs, em cerca de 80 anos de poesia e repente.
Antônio, o Patativa do Assaré, o mais famoso poeta popular brasileiro. Patativa é uma lenda no Nordeste, onde seus versos foram gravados por músicos tão diversos quanto Luiz Gonzaga, os sertanejos Pena Branca e Xavantinho e a modernosa baiana Daúde.

Antônio improvisava versos desde criança e apresentava-se em festas e feiras, até que na década de 30 foi descoberto por um intelectual de Fortaleza, José Carvalho de Brito. Ele publicou seus poemas no Correio do Ceará, comparando a poesia do caboclo ao canto da patativa, um pássaro da região. Adicionou ainda à alcunha o nome da cidade natal de Antônio, como se fazia com os trovadores medievais. Surgia Patativa do Assaré. Trabalhando a vida toda como agricultor, não publicava livros e se orgulhava de nunca ter 'feito comércio da lira'. Ganhou destaque por tratar de temas sociais, e não apenas daqueles típicos dos repentistas – sempre num tom moralizante –, e defender bandeiras como a reforma agrária: "De noite tu vives na tua palhoça/de dia, na roça, de enxada na mão/Julgando que Deus é um pai vingativo/não vês o motivo da tua opressão/(...) Caboclo, não guardes contigo esta crença/A tua sentença não parte do céu/(...) A lua se apaga sem ter empecilho/O sol o seu brilho jamais te negou/porém os ingratos, com ódio e com guerra/tomaram-te a terra que Deus te entregou."

Nos anos 50, seus versos chamaram a atenção do francês Raymond Cantel, titular da cadeira de literatura popular da Sorbonne. Quase meio século depois, ainda despertam interesse. Em 1997, a francesa Sylvie Debs, da Universidade de Toulouse, lançou uma análise detalhada de sua obra.

Fonte

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

O Setanejo em Chicó





A verdadeira alma do sertanejo no personagem

Protagonista, personagem pobre e franzino, Chicó usa de sua infinita astúcia para garantir a sobrevivência. Já foi comparado a Macunaíma, o herói sem caráter. Tal comparação, no entanto, revela-se inadequada, já que João Grilo, ao contrário do personagem criado por Mário de Andrade, trabalha de forma dura, ajuda seu grande amigo Chicó e tem como justificativa de suas traquinagens ser assolado por uma pobreza absoluta.

O sertanejo que é esperto e inteligente, usa de sua esperteza e corajem para vencer a foma e a seca. Chicó comporta-se de forma igual: engana as pessoas para se dar bem e ter o que comer.

A obra se Ariano Suassuna faz lembrar a alma do sertanejo: simples, esperto, inteligente, criativo e cheios de problemas, que faz o mesmo usá-lo para enganar. Isso tudo é descrito no personagem Chicó, do livro e filme, O Auto da Compadecida.


sábado, 29 de agosto de 2009

O quinze - Rachel de Queiroz


Publicado em 1930, o romance O Quinze, de Rachel de Queiroz, renovou a ficção regionalista. Possui cenas e episódios característicos da região, com a procissão de pedir chuva, são traços descritivos da condição do retirante. O sentido reivindicatório, entretanto não traz soluções prontas, preferindo apontar os males da região através de observação narrativa.

Em O Quinze, primeiro e mais popular romance de Rachel de Queiroz, a autora exprime intensa preocupação social, apoiada, contudo, na análise psicológica das personagens, especialmente o homem nordestino, sob pressão de forças atávicas que o impelem à aceitação fatalista do destino. Há uma tomada de posição temática da seca, do coronelismo e dos impulsos passionais, em que o psicológico se harmoniza com o social.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

sábado, 15 de agosto de 2009

O memorável Patativa do Assaré

Um poeta onde sua poesia se permanece atual. Nascido na Serra da Santana, uma pequena propriedade do município de Assaré – CE, só frequentou a escola por quatro meses e ainda assim consegui fazer as belíssimas poesias. Teve uma das suas maiores perdas aos oito anos, à morte de seu pai, que fez com que o resto de sua família se voltasse para o trabalho da enxada.

A sua vocação de poeta, cantador da existência e cronista das mazelas do mundo apareceu cedo, aos cinco anos. Para chegar onde chegou, tinha uma receita trivial: dizia que para ser poeta não era necessário ser professor. 'Basta, no mês de maio, recolher um poema em cada flor brotada nas árvores do seu sertão', dizia. Aos oito anos, trocou uma ovelha por uma viola e sua fama começou a se espalhar por esse sertão. A sua infância, que propiciou inspiração para seus versos, foi a mesma que lhe tirou um olho, devido a uma doença, que como o próprio denominava “mal d’olhos”.

Mesmo com pouco estudo, tinha uma poesia impecável, pois versejava em redondilhas e decassílabos. Sua poesia retratava uma visão de mundo "cabocla", muitas vezes nostálgica e desapontada com as mudanças trazidas pela modernidade e pela vida urbana. Sua poesia, era também forma de denuncias as injustiças sociais, alastrando sempre a consciência e a persistência do povo nordestino que continua a viver e dá sinais de bravura ao combater as condições climáticas e políticas desfavoráveis.

Um exemplo do talento inigualável:

O Burro.

Vai ele a trote, pelo chão da serra,
Com a vista espantada e penetrante,
E ninguém nota em seu marchar volante,
A estupidez que este animal encerra.

Muitas vezes, manhoso, ele se emperra,
Sem dar uma passada para diante,
Outras vezes, pinota, revoltante,
E sacode o seu dono sobre a terra.

Mas contudo! Este bruto sem noção,
Que é capaz de fazer uma traição,
A quem quer que lhe venha na defesa,

É mais manso e tem mais inteligência
Do que o sábio que trata de ciência
E não crê no Senhor da Natureza.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

A desmistificação do Sertão!


“O sertão, lugar de inspiração
lugar de guerreiros e lutadores,
um lugar de sonhadores,
um lugar de belezas e riquezas
onde o mundo só vê as desgraças e tristezas,
um lugar que apesar de todos os problemas e do choro,
tem a esperança como emblema
e o sorriso, na forma de conforto,
enfim, é um lugar de renovação,
que a cada provação se mostra forte,
revelando o verdadeiro Sertão.”
- Igor Amorim

O sertão sempre foi colocado como um lugar de seca e miséria e na maioria das vezes se pensa que o mesmo somente se resume ao Nordeste, ao contrário de que muita gente pensa, o nome “sertão” significa interior, mas através da mídia e ignorância de muitas pessoas, foi estereotipado como o interior do Nordeste e associado às desgraças do mundo.
Não podemos dizer que o Sertão Nordestino não tenha seus eventuais problemas, como não podemos falar isso de nenhum outro lugar, já que nenhum lugar é perfeito, mas temos que entender que aquele sertão de Euclides da Cunha, de Graciliano Ramos, melhorou, não podemos esquecer também das belezas desse lugar, inclusive da caatinga, que só o nosso sertão possui, e dos grandes artistas que dele saíram.
O sertão brasileiro é uma grande força para economia do país, já que, no Nordeste a fruticultura irrigada e exportação, dão um “up” na situação econômica, também temos a pecuária no resto do sertão brasileiro, e tudo isso mostra, que nem só de seca, fome e choro vive o sertão.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

A economia do sertão é foco de livro de Jorge Caldeira



A vida comercial do sertão nordestino nunca foi considerada um assunto de grande relevância pela história brasileira. Isso até que o jornaista e escritor Jorge Caldeira fizesse uma pesquisa profunda sobre o tema.

O resultado está no livro O Banqueiro do Sertão, que ele veio divulgar no último dia 20, no Projeto Terceiras Terças, promovido pela Livraria Realejo, em parceria com o Sesc.


A obra conta a trajetória do padre Guilherme Pompeu de Almeida, filho de um rico industrial, que almejava um posto na Companhia de Jesus. Devido a vários acontecimentos, ele acaba por seguir os passos do pai e se torna um negociador de sucesso a partir do momento em que começa a emprestar dinheiro para descobridores de ouro.




Segundo Caldeira, as relações que se passavam no interior do sertão eram tidas como secundárias, pois naquela época consideravam o grau de importância de uma cidade de acordo com sua proximidade com a metrópole.

Isso é um mito, afirma o escritor. Com base na documentação que usou de apoio para escrever o livro, ele prova que não só a vida cotidiana no sertão era intensa, como também era complexa a teia de relações sociais e econômicas que estavam por trás da vida naquela região.

O leitor encontra em O Banqueiro do Sertão muito mais que uma biografia em ritmo de romance. A mistura entre povos, as particularidades e o desenvolvimento das relações sociais e comerciais da sociedade sertaneja fazem do livro, além de uma fonte de cultura, um instrumento de conhecimento sobre essa realidade.

Vidas Secas - Graciliano Ramos



Hoje resolvemos falar um pouco sobre um livro espetacular: Vidas Secas. Trata-se de um romance publicado por Graciliano Ramos em 1938.
Graciliano Ramos foi um dos expoentes do modernismo brasileiro. Nasceu em Quebrangulo, Alagoas, em 27 de outubro de 1892 e faleceu em 20 de março de 1953, no Rio de Janeiro. A crítica literária o considera o maior romancista moderno do Brasil, principalmente por ter explorado com maestria temas fortes como a violência, a morte e a luta pela sobrevivência.
Vidas Secas, esse romance genial enfoca especialmente essa luta pela subsistência quando o ser humano se encontra nas condições mais precárias possíveis. O autor consegue penetrar profundamente no íntimo dos personagens, retratando fielmente os mais variados sentimentos.
Fabiano, o personagem principal do livro, é o típico homem moldado de acordo com o meio em que vive. Socialmente oprimido, muito simplório, de idéias curtas, o protagonista tem dificuldade em se comunicar e se ressente disso. Ora se reconhecendo como homem, ora como “bicho”, o personagem está sempre se sentindo inadequado. Sua ignorância o constrange.
Abaixo, segue um trecho dessa obra-prima. Aproveitem!
“Festa
Fabiano, sinha Vitória e os meninos iam à festa de Natal na cidade. Eram três horas, fazia grande calor, redemoinhos espalhavam por cima das árvores amarelas nuvens de poeira folhas secas.
Fabiano estava silencioso, olhando as imagens e as velas acesas, constrangido na roupa nova, o pescoço esticado, pisando em brasas. A multidão apertava-o mais que a roupa, embaraçava-o. de perneiras, gibão e guarda-peito, andava metido numa caixa, como tatu, mas saltava no lombo de um bicho e voava na catinga. Agora não podia virar-se: mãos e braços roçavam-lhe o corpo. Lembrou-se da surra que levara e da noite passada na cadeia. A sensação que experimentava não diferia muito da que tinha tido ao ser preso. Era como se as mãos e os braços da multidão fossem agarrá-lo, subjugá-lo, espremê-lo num canto de parede. Olhou as caras em redor. Evidentemente as criaturas que se juntavam ali não o viam, mas Fabiano sentia-se rodeado de inimigos, temia envolver-se em questões e acabar mal a noite. Soprava e esforçava-se inutilmente por abanar-se com o chapéu.
Difícil mover-se, estava amarrado. Lentamente conseguiu abrir caminho no povaréu, esgueirou-se até junto da pia de água benta, onde se deteve, receoso de perder de vista a mulher e os filhos. Ergueu-se na ponta dos pés, mas isto lhe arrancou um grunhido: os calcanhares esfolados começavam a afligi-lo. Distinguiu o cocó de sinha Vitória, que se escondia atrás de uma coluna. Provavelmente os meninos estavam com ela. A igreja cada vez mais se enchia. Para avistar a cabeça da mulher, Fabiano precisava estirar-se, voltar o rosto. e o colarinho furava-lhe o pescoço. As botinas e o colarinho eram indispensáveis. Não poderia assistir à novena calçado em alpercatas, a camisa de algodão aberta, mostrando o peito cabeludo. Seria desrespeito. Como tinha religião, entrava na igreja uma vez por ano. E sempre vira, desde que se entendera, roupas de festa assim: calça e paletó engomados, botinas de elástico, chapéu de baeta, colarinho e gravata. Não se arriscaria a prejudicar a tradição, embora sofresse com ela. Supunha cumprir um dever, tentava aprumar-se. Mas a disposição esmorecia: o espinhaço vergava, naturalmente, os braços mexiam-se desengonçados.




Comparando-se aos tipos da cidade, Fabiano reconhecia-se inferior. Por isso desconfiava que os outros mangavam dele. Fazia-se carrancudo e evitava conversas. Só lhe falavam com o fim de tirar-lhe qualquer coisa. Os negociantes furtavam na medida, no preço e na conta. O patrão realizava com pena e tinta cálculos incompreensíveis. Da última vez que se tinham encontrado houvera uma confusão de números, e Fabiano, com os miolos ardendo, deixara indignado o escritório do branco, certo de que fora enganado. Todos lhe davam prejuízo. Os caixeiros, os comerciantes e o proprietário tiravam-lhe o couro, e os que não tinham negócio com ele riam vendo-o passar nas ruas, tropeçando. Por isso Fabiano desviava daqueles viventes. Sabia que a roupa nova cortada e cosida por sinha Terta, o colarinho, a gravata, as botinas e o chapéu de baeta o tornavam ridículo, mas não queria pensar nisto.”

" Morte e Vida Severina "


“…E não há melhor resposta
que o espetáculo da vida:
vê-la desfiar seu fio,
que também se chama vida,
ver a fábrica que ela mesma,
teimosamente, se fabrica,
vê-la brotar como há pouco
em nova vida explodida;
mesmo quando é assim pequena
a explosão, como a ocorrida;
mesmo quando é uma explosão
como a de há pouco, franzina;
mesmo quando é a explosão
de uma vida severina
.”

O belíssimo trecho acima refere-se à parte final do premiado poema dramático ”Morte e Vida Severina”, escrito por João Cabral de Melo Neto em 1955 a pedido de Maria Clara Machado para encenação no teatro “O Tablado.” O poema foi ainda objeto de espetáculos que percorreram diversas capitais brasileiras e europeias.
O poema narra a saga de Severino, retirante que percorre longa jornada de sua cidade de origem no sertão nordestino até Recife em busca de melhores condições de vida. Durante o percurso, Severino se depara com a morte muitas vezes e ela é representada em diversas situações, como no trecho em que o retirante encontra o rio Capibaribe com seu curso interrompido pela seca. Severino, desesperançado diante de tanta miséria e fome, pensa frequentemente em desistir e “saltar fora da vida”. Mas, o otimismo ressurge no trecho final do texto, quando Severino assiste ao nascimento de uma criança, que simboliza a “explosão da vida” e a esperança de um tempo mais justo.


João Cabral de Melo Neto nasceu no Recife em 09/01/1920 e foi um dos mais importantes escritores da geração pós-modernista da literatura brasileira, destacando-se pela objetividade e facilidade em descrever com realismo as situações do cotidiano. A partir de 1950, João Cabral de Melo Neto passou a preocupar-se mais com a realidade social, principalmente do nordeste. Daí surge, dentre outros, o poema “Morte e Vida Severina”, obra que popularizou o autor e que merece ser lida na íntegra, pela sua extrema beleza e lucidez.